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Em busca da equidade

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Leila Diniz

“Felizmente já amei muito e espero amar ainda mais!” Leila Diniz
A história da mulher brasileira não pode ser escrita sem um capítulo inteiro dedicado a Leila Diniz (1945-72). Filha de um líder do Partido Comunista, ela foi protagonista da primeira produção de novela da Globo, em 1965; participou no cinema das comédias de Domingos Oliveira e dos filmes experimentais de Nelson Pereira dos Santos, no ciclo do desbunde. No teatro, estava na revista tropicalista Tem banana na banda.
Leila teve um currículo de realizações artísticas expressivas em sua curta trajetória de 27 anos, mas nada se compara à contribuição que deixou para a história do comportamento feminino. Com sua espontaneidade e alegria, convicta na dedicação de se mover apenas pelo prazer e pela liberdade, ela ajudou a traçar um novo papel para a mulher na sociedade brasileira. Sempre sem discurso, sem palavras de ordem, sem colocar o homem como inimigo do projeto.
É nesse contexto, de uma autêntica revolucionária, sobrevivente também de uma infância dramática, que o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos apresenta a biografia da atriz, em um novo lançamento da coleção Perfis Brasileiros, coordenada por Elio Gaspari e Lilia M. Schwarcz. Desde a adolescência, em que Leila perambula pelos bares de Copacabana e Ipanema, até os dias em que foi julgada, num programa de TV, e condenada como nociva à sociedade, o autor conta as grandes passagens da vida da atriz.
Na célebre entrevista concedida ao Pasquim (1969), figura de toalha amarrada na cabeça, escandalizando a sociedade e o governo militar por seus inúmeros palavrões e suas posições avançadas sobre sexo e comportamento. Em 1971, grávida, mostra a barriga na praia, mudando a moda e os modos. No teatro rebolado, vestia-se de vedete, maiô cheio de plumas.
Leila amamenta a filha Janaína
Abandonada pelas feministas, tachada de alienada pela esquerda e de vagabunda pela direita, Leila foi afastada da TV Globo, porque no entender da autora Janete Clair não havia papel de prostituta nas novelas seguintes. Sem trabalho, aceitou o convite para participar de um festival de cinema na Austrália. Na volta, morreu num acidente de avião, deixando uma filha de sete meses e o Brasil de luto.
Um extenso caderno de fotos, e uma cronologia com os principais acontecimentos no Brasil e no mundo, mostram tudo sobre a "moça que", nas palavras de Carlos Drummond de Andrade, 
"sem discurso nem requerimento soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma especial escravidão". 
_in Leila Diniz - o livro, Companhia das Letras* 
CONTRA A CENSURA, PELA CULTURA!
No dia 12 de fevereiro de 1968, na Cinelândia, no Rio, artistas e intelectuais promoveram um protesto contra a censura que proibia tudo. Uma bela comissão de frente feminina encabeçava a passeata. Da esquerda para a direita, Eva Todor, Tonia Carreiro, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengel.
_in Imagens & Visiones

Furacão chamado Leila Diniz

Quatro décadas e meia atrás, uma entrevista publicada no Pasquim deixou parte do país em polvorosa. Era Leila Diniz, carioca, liberta de dogmas, assuntando sobre o queria, como queria
A libertária Leila Diniz
Escrita pelo jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, Leila Diniz - Uma Revolução na Praia (Companhia das Letras, 280 págs., R$ 39) celebra a vida intensa e breve da musa dos anos 60 que abriu caminho para a mulher moderna
Antes de chamar a atenção do País, Leila Diniz foi professora no subúrbio carioca. Aos 17 anos, à frente de uma turma de jardim de infância, causou polêmica ao aceitar na sua classe uma garotinha com síndrome de Down. Era o começo dos anos 1960, e os pais dos demais alunos não aceitaram que uma criança “mongoloide”, tão diferente das outras, permanecesse tão perto dos filhos. A escola sugeriu excluir a menina. Leila indignou-se. Como não conseguisse manter a aluna na escola, resolveu pedir demissão. Diz-se que, antes de bater a porta da instituição, Leila teria disparado meia dúzia de palavrões.

Essa e outras histórias foram contadas pela atriz Leila Diniz (1945 - 1972), 45 anos atrás, na antológica entrevista concedida ao jornal O Pasquim. Pioneira na liberação sexual, Leila é lembrada por atos que, à época, foram considerados transgressores. Entre eles, durante a gravidez, ir à praia de biquíni.

Num bate-papo com os repórteres do jornal alternativo que azucrinou o regime militar, Leila falou sobre carreira, família, amores e amantes. A entrevista, publicada num 15 de novembro, tornou-se importante também pela quantidade de palavrões despejados pela atriz: 71. Em meio à ditadura, a edição reverberou tanto que, dois meses depois, os militares decretaram censura prévia à imprensa. A lei foi chamada informalmente de “Decreto Leila Diniz”.

GRITO DE LIBERDADE
“Leila é importante para a história da mulher brasileira. Essa entrevista foi um marco em meio àquele período de repressão”, destaca Joaquim Ferreira dos Santos, autor da biografia Leila Diniz, uma revolução na praia. Jornalista e escritor, ele pontua que o fato de Leila haver verbalizado em público “a necessidade de ser livre” iluminou a atriz em meio às outras mulheres fortes da época. “Quando tudo era censura, Leila foi foi um grito de liberdade.”

Livre e despojada, a atriz desagradou a todos. Esquerda e direita uniram-se no veto ao comportamento da carioca. “A direita considerou que era coisa de piranha, de vagabunda. Já a esquerda achava que não era momento de discutir a sexualidade e sim a tomada do poder”, afirma o biógrafo. Depois da entrevista ao Pasquim, Leila prestou depoimento à Polícia. Nele, comprometeu-se a não falar mais palavrão em público. Perdeu papéis importantes na TV Globo. Escandalizou.

FEMINISTA?
Apesar de não abraçar o rótulo de feminista, Leila Diniz se converteu em símbolo para as mulheres. “Ela falava palavrão, parecia ter controle de sua vida, quebrou tabu e foi perseguida por moralistas e machistas. Personificou a revolução sexual no Brasil, uma pauta muito feminista”, defende Lola Aronovich, professora do departamento de Letras Estrangeiras da Universidade Federal do Ceará e autora do blog Escreva Lola Escreva.

De acordo com a professora, o próprio jornal no qual a entrevista foi veiculada propagava ideais machistas. “O Pasquim, apesar de ser um importante jornal de esquerda, era também muito machista. Praticamente só tinha homens. Mulheres eram vistas como objetos sexuais ou incômodas feministas. E Leila não se deixou intimidar. Falou o que queria”, diz.

“Ela não estava fazendo discurso feminista, era só o que ela pensava. Leila só estava querendo ter o direito ao prazer dela, à sua felicidade”, argumenta Joaquim Ferreira dos Santos. Para o biógrafo, “não era um projeto político. Era um projeto de vida feliz”. O pesquisador enfatiza, porém, que Leila não estava alheia ao momento político. “Não era alienada. Estava ligada à boemia intelectual carioca e chegou a esconder fugitivos políticos em seu apartamento.”

Leila Roque Diniz morreu aos 27 anos, em acidente aéreo. Voltava de férias na Austrália. O biógrafo projeta: “Se Leila estivesse viva, estaria procurando brechas para avançar nesse processo de busca pela liberdade que se estende até hoje”.
 _in O Povo Online por Paulo Renato Abreu
Frases como a que está reproduzida no Almanaque Gaúcho: “Você pode amar muito uma pessoa e ir para a cama com outra”, garantiram a Leila Diniz um lugar na galeria das personalidades brasileiras mais polêmicas dos anos 1960. Especialmente em 1969, quando a atriz fluminense deu uma histórica entrevista ao jornal O Pasquim, na qual falou abertamente sobre amor e sexo, temas que à época ainda eram um tanto mitológicos, ainda mais em um país sob governo militar.
Antes de ser atriz, Leila foi professora de educação infantil. Atuou em novelas da Globo como Eu Compro Esta Mulher (1966) e O Sheik de Agadir (1966 e 1967), mas também se destacou no cinema. Sua filmografia inclui títulos como Todas as Mulheres do Mundo (1967), de Domingos de Oliveira, com quem foi casada. Outra de suas polêmicas foi a ousadia de ir à praia de biquíni em plena gravidez, algo bastante raro até então.
Há 45 anos, Leila morreu em um acidente aéreo, aos 27 anos, quando voltava de uma viagem à Austrália, onde recebeu um prêmio pela participação no filme Mãos Vazias (1971). 
_in Almanaque Gaúcho – ZH Blogs

Escrita pelo jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, Leila Diniz - Uma Revolução na Praia (Companhia das Letras, 280 págs., R$ 39) celebra a vida intensa e breve da musa dos anos 60 que abriu caminho para a mulher moderna
SEM TETO "Tinha completado 14 anos e acabado de saber que a mãe que diziam ser sua mãe não o era de fato. Quando começou em desespero adolescente uma incrível maratona de casa em casa, qualquer casa que fosse para fugir da sua, incluiu no meio do caminho os bares de Ipanema e de Copacabana (...)".
ÚLTIMA ANOTAÇÃO NO DIÁRIO "As saudades de Janaína são muitas. Será que estou sendo a mãe que ela merece? (...) Estamos chegando em Nova Délhi. Segundo anunciaram, a temperatura local é quase a do inferno. Quente paca. Agora está acontecendo uma coisa es ..." (Diário encontrado nos escombros do acidente aéreo que a matou, em 1972, aos 27 anos).
_in Isto É Gente por Suzana Uchôa Itiberê

1972: MORRE LEILA DINIZ
Aos 27 anos, ao voltar da Austrália, onde foi premiada como melhor atriz, no Internacional Film Festival, pelo desempenho no filme "Mãos Vazias", Leila Diniz morre num desastre aéreo, em viagem de volta ao Brasil. Mais tarde, seus últimos registros, documentados num cartão postal para sua filha Janaína e em seu diário, revelariam sua felicidade por ser mãe e estar em paz com a vida.

UMA MULHER À FRENTE DE SEU TEMPO.

Símbolo irreverente da resistência à ditadura nos anos 60, Leila incomodava aos mal-humorados de plantão por revelar uma fórmula alegre de vida, agindo sem hipocrisia, vergonha ou pudor, derrubando convenções e tabus. Defendia o amor livre e o prazer sexual, num tempo de machismo e conservadorismo absolutos.

Escandalizou a tradicional família brasileira em sua entrevista ao Pasquim, em 1969, onde falou abertamente sobre todos os assuntos, e disse: "Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo". Essa matéria proporcionou a edição mais vendida do Pasquim em todos os tempos. E foi o estopim para a instauração da censura prévia à imprensa, mais conhecida como Decreto Leila Diniz.

Logo depois, repetiria a dose, ao exibir a sua gravidez de oito meses, na praia de biquíni e ao amamentar a filha Janaína diante das câmeras.

Não havia volta. Começava ai, a revolução feminina da década de 70 no Brasil.

TODA MULHER É MEIO LEILA DINIZ.

25 anos depois de sua morte, o JB publicaria uma matéria especial em sua homenagem, em que algumas mulheres responderiam à pergunta: "O que você tem de Leila Diniz?".
Além do depoimento de Marieta Severo, participaram: Bete Mendes, Beli Araújo, Cecília Castro, Maria Júlia Goldwasser, Bia Lessa, Jandira Feghalli, Sandra Werneck, Marise Caruso, Ana Carmem Longobardi, Dafne Horovitz, Ana Maria Moretzsohn, Leila Pinheiro, Lucia Chermont, Bibi Ferreira, Marília Gabriela, Regina Abreu, Helena Severo, Maria Mariana, Graça Salgado e Mila Moreira.

_in JBlog Jornal do Brasil
*AUTOR -  
Joaquim Ferreira dos Santos
Nasceu no Rio de Janeiro. É jornalista. Entre outros livros, escreveu Feliz 1958 - O ano que não devia acabar e Um homem chamado Maria, biografia do cronista e compositor pernambucano Antônio Maria.
Biografia escrita pelo jornalista para a série "Perfis Brasileiros", da Companhia das Letras. No livro, Santos faz um fiel retrato da mulher que desafiou tabus de sua época - Leila viveu o clima hippie da Ipanema que descobria, entre outras coisas, as drogas e o amor livre em plena ditadura militar-, se consagrou como atriz em novelas, filmes e teatros de revista, mas teve sua carreira interrompida em 1972 ao morrer em um desastre de avião.


E você: "O que você tem de Leila Diniz?"

5 comentários:

  1. olá. eu tenho a entrevista do pasquim numero 22. quanto deve valer? está em ótimo estado.

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  2. as coisas nao sao bem assim,os amigos creditaram um monte coisas a Leila,tudo bem,mas arealidade é outra,a Leila dos anos 60 ja convivia com um monte de mulheres emancipadas,todas estudavam e trabalhavam,a unica coisa de diferente foi a moda de bikine na gravidez k ela fez,e quanto a entresvista do Pasquim acabou com a vida dela,portanto as coisas aconteceram de outra forma,ela nem quaria isso,pq ela vivia a vida dela,como todas,e morreu muito cedo,nao houve essa revoluçao.somente uma gravidez de bikine!!!

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  3. E tem mais na época da ditadura foi a melhor fase,so nao foi para os comunistas e aqueles k acahavam k podiam tudo,!!!

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